27/08/2020

Project Power: Nem só de pirotecnia vive o ser humano!

O marketing de Project Power destaca uma trama que bebe do universo dos super-heróis e adapta esses conceitos para o "mundo real". Uma pena que não aproveitaram o  pouco que tinham de original...


A história é ambientada em New Orleans, onde uma substância chamada Power está criando caos nas ruas. Quem ingere a pílula, ganha um poder imprevisível por cinco minutos. Nesse contexto, temos a adolescente Robin (Dominique Fishback), que trafica a droga. Seu caminho acaba cruzando com o do ex-militar Art (Jamie Foxx), e juntamente com o detetive Frank (Joseph Gordon-Levitt), eles buscam uma forma de parar a circulação do entorpecente e devem impedir que uma versão mais poderosa deste chegue às ruas da cidade. Para isso, eles deverão ir além dos seus limites.

[caption id="attachment_16085" align="aligncenter" width="703"] Os protagonistas do filme / Créditos: Netflix[/caption]

A trama já diz tudo, e a forma como esses personagens conduzem a história faz toda diferença nesse tipo de filme "pipoca", uma vez que tudo é previsível e a gente fica torcendo pelos protagonistas carismáticos. Infelizmente, esse não é exatamente o caso de Project Power, que está mais preocupado com o espetáculo pirotécnico e em caprichar nas cenas de ação violentas. Essa parte estética até funciona bem até certo ponto, mas os efeitos digitais são extremamente perceptíveis, e os práticos em alguns momentos são bem toscos (como a cena da mão estourada por uma arma). Esse tom meio "trash" não tira a gente do filme, e a gente fica assistindo para saber se vai rolar algo que surpreenda.

[caption id="attachment_16087" align="aligncenter" width="1280"] Art, interpretado por Jamie Foxx / Créditos: Netflix[/caption]

Mesmo não tendo um elemento "surpresa" que prenda a atenção do espectador, o elenco faz o que pode e isso é suficiente para que a gente crie uma conexão - ainda que frágil - com Power. Analisando individualmente, os personagens são interessantes, mas quando os três se unem, a coisa fica sem química, e nisso destaco o trabalho de Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt, cujos personagens praticamente foram jogados nessa trama sem tempo para desenvolver a conexão deles. Isso acaba prejudicando o terceiro ato, que se já era previsível, fica pior. Dá pra ver que Jamie Foxx manda bem, mas Levitt parece meio "mecânico" demais.

Porém, Dominique Fishback realmente rouba a cena, e é essa personagem por quem a gente torce durante todo o tempo de duração. Pena que ela em alguns momentos é renegada por conta dos astros do filme, que acabam tendo mais tempo de tela e, sinceramente, forçam muito a barra em alguns momentos e a gente não tem empatia com nenhum dos dois. O roteiro também falha ao subestimar certos acontecimentos que deveriam ter um impacto maior na narrativa, mas simplesmente determinada questão é deixada de lado e a galera "paga de doido" durante o resto do filme fingindo que isso não aconteceu. Se eu falar mais, é spoiler.

[caption id="attachment_16094" align="aligncenter" width="640"] Créditos: Netflix[/caption]

A trama obviamente é uma metáfora para o consumo de drogas, e uma forma fantasiosa de combater essa prática. Considerando que os diretores Ariel Schulman e Henry Joost também são os responsáveis pelo suspense adolescente Nerve  - Um jogo sem regras (aquele que é uma metáfora à Baleia azul), isso não me surpreende, mas a diferença entre os dois filmes é que na obra estrelada por Dave Franco e Emma Roberts, tivemos uma maior construção da tensão e do suspense, e as consequências são pesadas. Esse não é o caso de Power, que não está preocupado com esse tipo de discussão e foca apenas no elemento da ação. Até mesmo aspectos mais específicos da substância apresentada no filme poderiam ser mais explorados, mas para isso teremos que aguardar por uma possível continuação.

[caption id="attachment_16095" align="aligncenter" width="2560"] Personagem de Rodrigo Santoro cuja importância é mínima / Créditos: Netflix[/caption]

Se você espera tiro, porrada e bomba... Saiba que vai encontrar isso aqui! Apesar de ter muitos problemas, as cenas de ação são boas e empolgantes, principalmente no primeiro ato. No resto do filme, o trabalho nas cenas de luta é decente, mas a montagem e a edição com outras cenas mais "sérias" causam estranhamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Power é um filme pipoca, e isso significa que você irá encontrar diversão sem compromisso, apenas. Para entrar na onda desse filme da Netflix, a proposta é que você desligue o cérebro para algumas situações - o que, sinceramente, eu não consegui fazer -  e não exigir muito da trama, que é cheio de conveniências. Particularmente, acho Project Power "okay", mas tinha potencial para ser melhor.

[caption id="attachment_16096" align="aligncenter" width="1200"] Uma das melhores cenas do filme / Créditos: Netflix[/caption]

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