10/02/2016

Guerra Civil: De que lado você está? - João F.



 Todos concordam que a Marvel cresceu tanto em termos de produção quanto econômicos. Os heróis das suas HQs ganharam adaptações para o cinema que, apesar de não serem totalmente fieis ao material de origem, conseguiram agradar todo o público. Como 2016 é um ano que promete muitos “orgasmos nerds” no cinema, separamos um filme que será decisivo para o futuro da Marvel e de seus personagens. No terceiro filme do Capitão América, os executivos resolveram abordar a trama da “Guerra Civil”, uma das sagas mais aclamadas da história da indústria.


  O trailer do longa deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Muitos se questionaram a respeito do motivo que levou ao embate Herói x Herói, ocupado pelo Capitão América (Chris Evans) e Homem de ferro (Robert Downey Jr.). Nas HQs, um grupo irresponsável de heróis tenta lidar com um vilão com o qual não são páreos, acabando por provocar um acidente que culmina em uma explosão, matando todos ao redor, inclusive crianças. O ato trágico acaba por chamar a atenção do governo, que cria a “Lei de Registro dos Super-humanos”, ressaltando que todos os heróis devem se registrar, fornecendo seus dados pessoais. O Homem de ferro vê isso como um retrocesso, mas sente-se obrigado a ser favorável ao registro. Já o veterano de guerra Steven Rogers vê isso como uma trágica invasão de privacidade, tendo em vista que o paradigma da identidade secreta seria quebrado, e como o fim da liberdade, protestando contra a lei. Dois heróis, com ideais completamente  diferentes, são o pontapé para a “Guerra Civil”.

  Nos cinemas, no entanto, a adaptação da saga terá seus pontos diferenciais em relação ao material de origem. Para quebrar a monotonia da repetição, torna-se essencial mudar alguns pontos da história. No entanto, o filme dirigido por Joe e Anthony Russo modificou até mesmo o coração da história. Ao que parece, o Soldado Invernal/Bucky Barnes (Sebastian Stan) está sendo mantido em um lugar desconhecido por Steven Rogers. Porém, Barnes está sendo procurado pelas autoridades, provavelmente pelos crimes que cometera tentando ajudar a H.I.D.R.A. crescer. O fato de Rogers estar acobertando o antigo amigo pode acirrar ainda mais a rivalidade entre ele e Stark, que atua ao lado da lei. Além disso, a batalha de Sokovia, ocorrida no fim de “Avengers: Age of Ultron” é o que gerou “Os acordos de Sokovia”, cuja planilha é mostrada no trailer. Esses termos são uma adaptação da “Lei de registro de super-humanos” dos quadrinhos. O general Thaddeus Ross (Willian Hurt) está envolvido de certa forma nesse conflito, cuja razão aparenta ser o preconceito contra super-humanos (vale ressaltar que seu próprio genro é um desses seres). O senhor Ross será um dos executores dos “Acordos de Sokovia”, sendo tal lei criada devido às catástrofes causadas pelos conflitos no segundo filme dos Vingadores, servindo como pretexto para uma forma de se prevenir de mais ações que possam fugir do controle.

 Outro ponto na história é o posicionamento de Tony Stark, que toma uma posição bastante antagônica no universo Civil War, mostrando seu lado no contexto político, que é uma marca da saga. Ao agir com métodos maquiavélicos, isso mostra o outro lado do Homem de ferro. No universo cinematográfico da Marvel, vale ressaltar que o Ultron foi criado pelo filho de Howard Stark. Como a guerra contra o vilão foi o que gerou os “Acordos de Sokovia”, fica implícito que a culpabilidade de Tony será ainda maior, se vendo obrigado a estar do lado da lei. Assim como nos arcos da Civil War dos quadrinhos, o herói se vê como principal responsável pelos atos de todos, tendo em vista que ele agiu como líder dos Vingadores. Aproveitando essa deixa, todos que assistiram “Age of Ultron” (2015), sabem que o alter-ego do Homem de ferro deixa o time de heróis, com motivos próprios. Apesar de ele e o Capitão América terminarem o filme relativamente bem, isso é um pontapé para a tomada de medidas extremas para “manter a paz”, da parte de Stark. Para isso, seria essencial que ele se juntasse ao poder legislativo a partir daí, buscando apaziguar as ações dos heróis.

  No entanto, na minha opinião, a “Guerra civil”, apesar de bem adaptada nos cinemas, se encaixaria melhor em uma temporada de um seriado. Muitos fãs reclamam o fato de a história adaptada não ser tão fiel ao material de origem, especialmente devido à duração do evento e a violência leve. Afinal, estamos falando de um dos conflitos que deixaram grandes marcas no universo dos heróis da Marvel, através de violência pesada, e um contexto até então voltado para jovens adultos, o que é algo que não está nos planos de Kevin Feige (produtor da maioria dos filmes da Marvel). Desde o filme-solo do Homem de Ferro, em 2008, a companhia tem se preocupado em produzir filmes que sejam direcionados para o público jovem e o meio familiar. Um evento desse porte não seria recheado com a brutalidade presente nas HQs, a começar pela censura dos filmes da Marvel (10 ou 12 anos). Não há como descartar a ausência de heróis cujos direitos autorais pertencem a FOX (como os X-men e o Quarteto Fantástico). O segundo grupo, por exemplo, marca uma das principais disparidades da história – a separação de ideais. O time é também uma família, e Sue e Reed Richards estão casados. No entanto, o alter-ego do Sr. Fantástico encontra-se do lado de Stark, mesmo após este extrapolar os limites de combate aos não-registrados. Enquanto isso Sue e seu irmão Johnny Storm (Tocha Humana), encontram-se angustiados com as ações do time Stark, e passam para o lado do Capitão América.

  Portanto, todos sabem que  “Capitão América: Guerra Civil” é um dos eventos mais aguardados para 2016. Afinal, estamos nos referindo a um conflito que trouxe a Marvel uma nova legião de fãs. É um filme que certamente terá um grande resultado lucrativo para a Marvel e sua distribuidora, a Disney. Já a recepção crítica e do público, dependerá do desenrolar da história. Os diretores deixaram muitos satisfeitos em “Captain America: Winter Soldier”(2014), e são de confiança para a adaptação de um evento como a Guerra Civil para os cinemas. Mesmo sem elementos originais como a desconfiança do Homem Aranha (dessa vez em uma pequena aparição como alívio cômico) a respeito de qual lado deve estar (evitando que sua família sofra as consequências de sua escolha), a história deverá ser coerente com os eventos de todos os filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, para que então seja satisfatório para os fãs e seja digna de aplausos. Não é preciso ser uma adaptação totalmente fiel para obter resultados satisfatórios, mas que possua uma história coerente e o seu desenvolvimento seja proveitoso.




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