22/01/2016

Um pouco mais de Birdman - Joe!



   Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é um filme de Alejandro Iñárritu(mesmo diretor de Amores Perros) que conta a história de um ator decadente, chamado Riggan Thomson (Michael Keaton) que depois do término de uma grande trilogia de filmes blockbusters tematizados em um super-herói chamado Birdman, não consegue mais desprender-se do mesmo, sendo apenas lembrado por um grande papel a sua vida inteira; Birdman. Hoje, trarei um review e farei uma pequena crítica a esse tão aclamado e tão odiado filme!



   Como disse no início, Birdman é um filme dirigido coescrito e coproduzido por Alejandro Iñárritu, um renomado diretor mexicano. O filme ainda conta com grandes mentes brilhantes, como Emmanuel Lubezki, cinematógrafo e amigo de Iñárritu e só com a sua ajuda, ele pôde tirar as ideias da linguagem do filme do papel, o que o torna essencial. Ainda menciono Antonio Sánchez, que representa instrumentalmente o filme Birdman, dando vida e ainda mais emoção a tudo que se passa dentro desse filme.

   No elenco temos como personagem principal o Michael Keaton, representando Riggan Thomson, um ator e diretor que almeja reconhecimento e atenção. Como coadjuvantes, temos Zach Galifianakis ( como Jake, amigo e agente de Riggan), Edward Norton (como Mike Shiner, um famoso ator bastante reconhecido em seus trabalhos, não só pela "pureza" de sua atuação, mas também por ser um cara difícil de “ser dirigido”) , Andrea Riseborough (como Laura Aulburn, atriz e amante de Riggan) , Amy Ryan ( Como Sylvia, ex-mulher de Riggan) , Emma Stone (filha e assistente de Riggan) e Naomi Watts (como Lesley Truman, atriz e ex-namorada de Mike Shiner).
    Devemos destacar os atores Edward Norton e o próprio Michael Keaton, que sucedem muito positivamente nesse filme. Na verdade, como Birdman é um filme “anticonvencional”, podemos inicialmente desfrutar de sua camada mais superficial; as possíveis referências à vida real, um dos grandes motivadores do filme de Iñárritu ter tido tamanha repercussão. A primeira referência que se faz bem visível, é a escolha do ator Michael Keaton para o papel de Riggan Thomson, o próprio Birdman , uma vez que Keaton já tenha vestido roupa colante de outro super  há algum tempo, quando representou Batman, em 1989.



    Especula-se que tenha sido escolhido para o papel (de Birdman) porque a história de sua carreira artística real tem pontos similares ao filme do Iñárritu, como o fato de depois de ter atuado como Batman e parar, não ser considerado tão relevante quanto antes fora, uma vez que atuar como um herói pode (tendenciosamente) marcar um ator para o resto de sua vida (Hugh Jackman, Robert Downey Jr que o digam!) , como acontece em Birdman, com Riggan Thomson.
   A outra referência deve-se ao ator Edward Norton, que por muitas vezes é citado como um ator que gosta de por a mão nos roteiros dos outros, sempre achando defeitos e detalhes a serem revisados enquanto o filme está em sua fase de criação, logo a sua representação no filme seria ainda mais avaliada e comentada, mais uma excelente jogada de Iñárritu. Mas é claro que podemos também dizer que tais coisas estão tão explícitas, que podem não ser nada, apenas rumores.
   Agora chegamos a uma parte muito interessante do filme; a sua linguagem própria. Talvez muitos que assistiram Birdman podem ter achado seu plot simples, monótono e até chato, mas algo inegável no filme é a sua identidade visual, certamente um dos pontos mais altos do filme. Birdman mostra elementos (quase) nunca antes utilizados na história do cinema de forma simples e humilde, trazendo imensa naturalidade à sua filmografia e desenvolvimento.



    O filme desenrola-se numa espécie de emulação de plano sequência, onde o jogo de câmera dá a entender que não existem cortes ou edição ( o que obviamente há). É preciso prestar bastante atenção para que se possamos perceber os cortes e trocas de cena. Além disso, “a câmera” utilizada no filme funciona como mais um personagem na história, justamente por não existirem os cortes. Logo, a câmera permanece em constante movimento, seguindo os personagens como se fossem o próprio Birdman! Isso torna a narrativa ainda mais complexa, e ainda assim, legível. Uma das muitas outras “mágicas” que esse plano sequência nos proporciona é a sua atemporalidade, podendo ela mover-se livremente no espaço tempo que existe na mitologia do Birdman. Isso também casa muito bem com a história, já que o filme funciona basicamente com atos (assim como em peças teatrais), então suas transições ficam muito mais interessantes.


 Vamos agora para os personagens:

   Birdman é um filme surpreendente desde os seus primeiros segundos. Especialmente depois da abertura que Keaton faz no filme. Um homem velho e aparentemente cansado, num lugar um tanto claustrofóbico, sujo e desorganizado, mas ele não parece estar dando atenção aquilo. Não, ele está meditando enquanto flutua naquele canto, que logo descobrimos ser o seu camarim. Uma voz grave e ameaçadora abre a cena, com a indagação "Como viemos parar aqui?". Essa voz pertence ao seu ser interior intitulado Birdman. A partir daí, que podemos começar a ter uma ideia do desenrolar do filme. De cara, vemos em seu diálogo com sua filha que eles não se dão tão bem, mas que estão presos um ao outro, já que ela parece estar trabalhando para ele. Ele é chamado por alguém para ir para o ensaio.
    Ele parece ocupado. Desce para ensaiar algo que virá a ser uma apresentação na Broadway. Chegando lá, somos introduzidos a mais personagens da trama. Na mesa em que ensaiam vemos Leslie e Laura, que tentam ensaiar uma cena com o falho ator Ralph. Riggan já está farto dele e de sua atuação miserável. Mais uma vez nos é mostrado o poder que Riggan herda de seu antigo papel de herói, quando ele faz cair em Ralph um holofote, causando-o uma concussão, impedindo-lhe de ensaiar (na verdade, ele fica desacordado!). É interessante pensar que desde o começo Iñárritu brinca com as diferentes situações em que Riggan se encontra, já que no começo do filme, não podemos saber se ele de fato tem poderes, ou são apenas em sua cabeça e no decorrer do filme ele vai nos deixando com crescer com essa dúvida, já que por muitas vezes ele parece ser uma fraude, enquanto que em outros momentos seus poderes são bem reais. Em todo caso, os poderes são apenas usados por ele quando está sozinho, sem ninguém por perto, o que nos leva a crer mais um vez, que não passa de invenção da cabeça perturbada de Riggan.


   No decorrer da trama, vamos nos aproximando cada vez mais de Riggan e percebendo o quão desmotivado ele está. Sente-se perdido, excluído, substituído e principalmente esquecido. Ele quer ser lembrado por quem ele é e não por quem um dia representou. Ele quer sentir-se exatamente como nas primeiras cenas do filme, em um fragmento de texto de Raymond Carver (Escritor no qual Riggan baseou a sua peça).

“ -E você conseguiu o que queria dessa vida, mesmo assim?
- Consegui.
- E o que você queria?
- Poder dizer que sou amado, sentir-me amado nessa terra.”

   Agora, Riggan precisa de uma vez por todas provar a todos que ele tem potencial, e que ele pode ser MUITO MAIS do que um simples personagem. para fazer isso, ele vai aos palcos da Broadway com uma adaptação do livro de Raymond Carver- What We Talk About When We Talk About Love, um livro que passa longe da sua antiga “identidade de pássaro”.
   Com essa adaptação, ele espera receber críticas positivas de seu público e dos  críticos, o fazendo ser relevante uma vez mais. Nesse meio tempo, Riggan tende a ter vários problemas com todos ao seu redor, sempre com desentendimentos com sua família e amigos (e com sua própria mente),tentando sempre caminhar no tenro fio que é a sua própria sanidade. Tudo isso para ser uma vez mais reconhecido por quem ele é. Mas a questão é; Será ele um homem? Um pássaro?

Considerações finais: 

    Não, não é um filme de super-heróis. Também não é um filme convencional, cheio de ação e aventura. Num quadro geral, Birdman se faz um filme muito mais poético e surreal, trazendo cenas que expressam e externam a loucura, a tristeza, a melancolia, o desespero e enfim a paz de um homem que já perdeu a ânsia e o desejo no que um dia fora a sua maior fonte de inspiração; O drama.
 Um filme bastante aclamado pela crítica, trazendo, além de todas as suas genialidades fotográficas, de sonorização e edição, um gênero de filmes que esteve esquecido por algum tempo; A comédia dramática.
 Um filme feito para todos os cinéfilos e, apreciadores da arte visual e sonora... E para todos os loucos que se atreverem a assistir. Vale a pena assistir. O NerdSpeaking recomenda!

 "Você é o pior. Você é o melhor. Você é proporcional." - Gnarls Barkley
 



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